Este blog é pra quem gosta de uma boa e alegre música brasileira...dessa banda super alto astral que é o Feijão de Bandido.
...::. Sejam muito Bem Vindos!!! .::...
Com o intuito de juntar num mesmo espetáculo diversos estilos e influências musicais, poéticas e performáticas; de colocar, sob um mesmo teto, o regional e o cosmopolita, sempre com ênfase na cultura brasileira surgiu o FEIJÃO DE BANDIDO. Não é de se espantar que num mesmo show possamos ouvir música pop, xote, baião, frevo, dentre outros tantos elementos. Aliado a esta variedade, há uma preocupação com o lado visual e cênico, oferecendo ao público performances circenses, boneca de mamulengo, além de um bem cuidado figurino. Sem falar nas idéias expostas em suas poesias e letras de músicas que mostram um grupo antenado e consciente.
NOTAS DO SENTIR(M. Bousada e R. Batista) Elevo meu espírito / Na extensão do grito / Que tempera o meu feijão / Livro-me da dor de cabeça / Afastando-me das nuvens espessas / Vagando por mais uma canção... / Quero nitidez nas notas / E o som saindo pelas comportas / Num gozo sonoro estouro / De tom mais duradouro / São as notas eletrificadas do sentir / Do coração-computador-transistor / Prestes a explodir / Numa chuva de canivetes / Decepando seus palpites / E embaraçando as tradições / Via satélite, / Ao vivo e a cores
ORDEM E PROGRESSO Os edifícios gigantes / nos tornam insignificantes / E dos elevadores panorâmicos / olhamos atônitos / a beleza da cidade que invade o nosso quintal / Nada mau! / Este é o “progresso” da humanidade / O nosso habitat natural / Mas o excesso de egoísmo e vaidade / é o que nos deixa mal / Não sou contra o dito “progresso” / Mas acredito que às vezes andamos pra trás / E estamos bem mais para o “regresso” / Do que algum tempo atrás / Esquecemos dos exemplos anteriores / e cometemos os mesmos erros / Estamos cheios de doutores / Mas ninguém cura o desespero / Temos a mídia eletrônica, / a revolução da tecnologia, / o botão da bomba atômica / que a destruição irradia / Mas mamãe! / Tenho saudade do meio rural / Das vacas pastando,... / Aquele cheiro de bosta no curral... / Está cheirando a saudosismo? / Posso até concordar / Não que eu queira o feudalismo / Mas acho que o capitalismo / já deu o que tinha que dar / Talvez a ciência e a religiosidade / A tecnologia com a espiritualidade / Um olho no umbigo o outro no irmão / Talvez meu amigo seja esta a solução
DE QUE LADO O Brasil será sempre o país do futuro / Enquanto estivermos em cima do muro / Eu quero prosperidade no presente / Acreditar em nossa gente / Mas é preciso optar / Por isso eu lhe pergunto / De que lado você samba / De que lado você quer sambar / E não importa se da esquerda o da direita / Só não podemos ficar na espreita / Esperando o barco afundar / Ou somos corruptos, egoístas e filhos da puta / Ou amamos nossa terra, nossa gente, vamos a luta / Por isso eu lhe pergunto / De que lado você samba / De que lado você quer sambar / Eu quero novidade / Luz para o futuro / Sair da corda bamba / Detonar o muro / Eu quero o lado claro / E aqui tá tão escuro / Mas, eu tenho certeza / que podemos clarear / Por isso eu lhe pergunto / De que lado você sonha / De que lado você quer sonhar
CACHORRINHO Vá limpar o cocozinho do seu cachorrinho / Vá limpar o cocozão do seu cachorrão / Vá limpar o cocozinho do seu cachorrinho / Vá limpar o cocozão do seu cachorrão / Se você quer manter o seu cãozinho / Não faça esta cachorrada / Use sempre o saquinho / Pra não deixar o coco na calçada
CABRA SANTA José Severino, criador de cabras / Cabra esperto, safado, contador de histórias / Traficava maxixe, com a cara lavada em São Sebastião do Glória / Casa sempre freqüentada / Pessoas ilustres e até de conceito / Lixeiro, garçonete, o juiz de direito / Servente, bancário e até o prefeito / Mas, seu delegado novo na região / Mandou a patrulha para averiguação / Deram de frente, com Zé Severino, / a cabra Jovina e o flagrante na mão / Assustado com a cena... / Foi logo tirando da manga mais uma armação / Cercado de bosta, não pensou duas vezes, / jogando o flagrante no chão / Mas, os “home” da lei sacaram o movimento / E apertando com a mão / Descobriram que nem tudo ali no chão era excremento / Mas, o cabra era esperto e contador de história / E dos maiores na região do Glória / Tirou da caixola uma nova idéia e foi logo dizendo: / Vixe! Vixe! A Cabra é santa / Vixe! Vixe! Ela come mamona e caga maxixe / Vixe, vixe! A Cabra é Santa / Ela come mamona e caga maxixe / Iluminação! / Estão todos querendo / O tal do ouro preto / Peregrinação! / Estão vendendo santinho, chaveiro e até amuleto / E a canção sai da surdina / Salve o maxixe santo / E todo o encanto da Cabra Jovina!!!!
CORAÇÃO CHALEIRA Meu coração tá fervendo igual chaleira / Meia lua inteira / Vem como a chuva / Inundando a ribanceira / Vem em tom de brincadeira / Que não poderia acabar / Meu coração é o fervilhar do mundo / Um faminto moribundo / Nas cozinhas e panelas / Palafitas e favelas / Que um dia vão se acabar / Meu coração tem a sina dos errantes / Destes loucos navegantes / Navegar içar as velas / Das fragatas caravelas / Perdidas no fundo do mar / Êh! Coração cansado de tanto chorar / Livrou-se da escravidão / Sorrindo cantar / Meu coração tem o toque da zabumba / Quem tem paz não se afunda / Pelos lagos, pelos mares / Mesmo em todos os lugares / Um dia vou te encontrar
FANTASIA Pra despertar a vida / Vamos brincar de sonho / E começar o dia / O mundo está risonho / Vem dançar a melodia / Vem brincar a fantasia / Vem fazer como o palhaço / Vem sorrir, me dá um abraço / Eu sei que hoje / A gente vai se divertir / Brincar, pular, cantar / E ser mais feliz / Eu sei que hoje / A gente vai se divertir / Brincar, pular, cantar / E ser mais feliz
CORRENTE ELÉTRICA O pensamento não me pertence / Fica quando quer e vai quiser / É o involuntário pensar / Percorre os caminhos nas minhocas da minha cabeça / As Longas e coloridas minhocas espessas / Desliza nas curvas do imaginário / Não tem certo o destinatário. / Vai... / Corrente elétrica / Tendenciando ao curto circuito / tendenciando ao curto circuito / Vai... / trilhar pedaços virgens / Trazer-me certezas e vertigens / Vai confundir os meus miolos / Colocar ao chão a parede dos tijolos da convicção / Corrente elétrica / Tendenciando ao curto circuito / tendenciando ao curto circuito
BENDITO ENTERRO Fui ao enterro do Sr. Desespero / Voltei aliviado / Já não agüentava mais correr pra todo lado / Aproveitei e sepultei: Dona Angústia e Sra. Depressão /Uma enorme vela, um imenso caixão /Tudo bem enterrado sob sete palmos de convicção / Encontrei a amiga Esperança / Ressuscitei a criança, e vislumbrei o mundo com um novo olhar / Não que acabassem os problemas / Mas, tudo em seu devido lugar / Bendito Enterro! / Que me levou o Desespero /Colocou mais de tempero / na vida que tenho pra fartar...
AS COISAS ACONTECEM Neste mundo tudo pode acontecer:/ trabalhador se tornar vagabundo/ e o pobre enriquecer.../ Os amores, as revoltas , as doenças/os horrores, acidentes e crenças,/podem a qualquer momento/ atingir a um de nós/ Pode até faltar voz/ Na hora de pedir socorro/ Assim como prestes a morrer/ algum milagre acontecer/ E a mulher que lhe desperta tanta paixão/ pode cair na tentação/ e lhe trair com seu amigo/ O seu maior inimigo/ pode lhe salvar num instante fatal/ Tudo é natural/ Nada é impossível/ Quase tudo é confuso/ Viver independe do bem ou do mal/ Pois não existe norma, padrão ou moral,/ que dê conta do TODO que nos cerca/ Nem a ciência totalmente correta,/ Nem pensamento mágico, ou religioso, que abarque a totalidade dos acontecimentos/ Existe a Vida, o Ser e os seus imponderáveis desdobramentos...
AMOR ENLATADO(M. Bousada, Paulão e R. Batista) Este nosso amor / Com acidulantes, conservantes / Estabilizantes e corantes artificiais / Já não nos alegra nem nos satisfaz / Falta tempero, falta cheiro natural, / Tá sobrando fingimento, / Sentimento artificial / Já está até cheirando mal / É que este nosso amor enlatado / Agora nos pede cada um para o seu lado / E o coração embolorado / Tá correndo o risco de morrer intoxicado / Pois o conservante não conserva, / O estabilizante só desestabiliza; / O acidulante nos azeda / E o corante não colore mais a vida / Nosso amor está vencido / Extrapolou a validade / Agora estou convencido / Quero outra realidade.
COLIBRI (Maurício Arembepe e R. Henrique) Deixa florar, deixa fluir/Neste jardim eu sou um colibri/Eu andei mais de mil jardins/Só pra te encontrar/E te trazer pra mim/E te trazer pra mim/Mãe Natureza me traz sentido/Sentido nobre, sentido gente/Gente contente sem se prostituir/Dê uma chance para as crianças/Deixe o planeta em paz/A Aldeia te manda lembranças/E diz que seus rios continuam saudáveis/Banháveis com vocês, com vocês, com vocês, com vocês.../O meu cabelo arrepiado/Tá antenado em toda a situação/Se você pensa, já estou sentindo/Se você vem eu volto pela contramão
XEXÉU(Rodriguet’z, R. Henrique, M. Bousada e Gê Mendonça) Um belo dia levantei da cama / E fui tomar um gole de café; / Janela aberta, eu olhei pra fora / E vi o sol varrendo meu jardim; / Vi passarinho que encanta com a garganta, / Bate asas, se levanta, conquistando seu amor; / Olhei mais longe e da cadeira vi um vale / E a beleza do lugar impondo todo o seu valor / Larguei o copo e abri a porta, / Saí descalço, fui andar a pé, / Pisei no mato, consumei o fato, / que coisa boa!, nesta vida boto fé... / Por isso eu digo: todo dia é dia / E toda hora é hora de aprender: / Fazer da vida uma poesia, / Do jeito simples, modo de viver. / Vou trazer você pra junto de mim / Pra gente viver e ser bem feliz / Vou trazer você pra junto de mim / Pra gente viver. Simples...
VASSOURA ELÉTRICA(M. Bousada, P. Córdova e R. Batista) Na sociedade descartável / E da cultura fast-food, / Sobressai cheiro de plástico, / O perfume que ilude. / O que fazer com nosso vício, / A nossa sede de consumo? / Não há lugar pra tanto lixo; / Onde jogar todo insumo? / O que fazer com a cobiça, / Esta ganância planetária? / Onde é que está nossa justiça / E as atitudes solidárias? / Já perdi a mocidade / Na velocidade do consumo; / Perdi o rumo e não perdi a esperança, / Mas quem muito espera sempre cansa. / Vamos correndo inventar uma vassoura elétrica / Que possa varrer com todo entulho da terra! / Com raio laser desintegrar a matéria, / Limpar nossos rios, desentupir as artérias; / Um pulmão eletrônico / Pra filtrar o gás carbônico / E acima de tudo vamos reciclar, / Acima de tudo vamos reciclar!
ÊH! BRASÍLIA(P. Córdova, Genim, Gilnei Maia, M. Bousada e R. Batista) Quando apaga o candeeiro / Acende o fogo das “muié” / Onde eu toco meu pandeiro / Come solto o “rasta pé” / Minha sina por estrada / Confirmou-se em Ariri / Trouxe tudo na bagagem / Para o pessoal daqui / Êh! Brasília / Tu ainda és tão menina / Êh! Brasília / Mas já tens festa junina / Em agosto és agostina / Tens o pessoal de Minas / Misturou com o beijo dela / Do Oiapoque ao Chuí / Fez o pessoal daqui / Êh! Brasília / Mas sei bem a tua sina / Frio e seco é o teu clima / Temperado na panela / Tens galinha cabidela / Feijoada com pequi / Fez o pessoal daqui / Êh! Brasília / Tu ainda és tão menina / Êh! Brasília / Mas, também, és obra prima / O teu pôr do sol me inspira / O teu céu minha aquarela / Debruçado na janela / O meu coração sorri / Amo o pessoal daqui: / Sobradinho e Taguatinga / Tens Braslândia e Planaltina / O Varjão, Paranoá / tens o Gama e o Guará / alô, Alô Candangolândia / A todo o povo da Ceilândia / Sobradinho, Taguatinga, Braslândia, Planaltina, Varjão, Paranoá, Gama, Guará, Candangolândia, todo o povo da Ceilândia, Núcleo Bandeirante, Granja do Torto, Lago Sul, Lago Norte, Plano Piloto, Sudoeste, Octogonal, Águas Claras, Samambaia, Cruzeiro, Estrutural, Comunidade do Riacho e do Recanto, Agrovila São Sebastião, Vila Planalto, Park Way, Vale do amanhecer, Santa Maria rogai por nós os passageiros deste Avião!..
PREGO!(M. Bousada, P. Córdova e R. Batista) Você foi a rainha do não egoísmo / E eu, o vilão do egoísmo eterno / Você me livrava de todo pessimismo / E com meu pessimismo / Quase que a levei ao inferno / Você com seus olhinhos sem culpa / Domava e amansava meus instintos / Não me fazia nada e ainda pedia desculpas / E com isso alimentava este ser faminto / Você enchia a minha vida de graça / Eu inundava a sua de confusão / Você se doava e não fazia pirraça / Não representava ameaça ao meu coração / Eu não lhe dei o valor necessário / Você com seu jeitinho sutil / Uma hora percebeu que eu era um otário / E me mandou pra Portugal de navio.
AGONIA (Paulo Córdova) Faz o que não queres, fezes/Fala o que não sentes, fedes/Se engana tantas e repetidas vezes/Não dorme sempre escutando vozes/Procura um outro refúgio e pedes/Ou senta na mesa de um bar e bebes/Se bebe esquece/Se pede alivia/Se chora desabafa/Senão, agonia/A dor vai muito mais/A dor vai muito mais/A dor vai muito mais/A dor vai muito mais além
RAINHA DA BELEZA(Ricardo Batista) Mas eu tô louco de saudade/Não sei se agüento;/Oh, morena venha logo/Pra findar este tormento,/Minha vida é só tristeza/Desde quando foste embora/Por favor, volte agora/Ó Rainha da beleza!/Pois sem ti não há sentido/Tudo é só desilusão/Tenho o coração ferido/O peito todo carcomido/Nesta ampla solidão.../Ai, meu amor/O que em mim é só torpor/Só encontra em teu sorriso/Tudo aquilo que é preciso/Todo o meu real valor;/E hoje que esta lua vem surgindo/Sigo então não resistindo,/Em meu peito, tanta dor!
PAIXÃO CIBERNÉTICA(P. Córdova e M. Bousada) Socorro! Uma robô roubou meu coração/Uma menina de lata/Num sorriso de prata/É a mais nova invenção/Ultra moderno/Um anjo atômico vindo do inferno/Parece gente, mas é gelada/E pra recarregar são duas horas na tomada/Duzentos e vinte volts/De amor e potência/Tem carga extra no progresso da ciência/À prova de fogo e frescura/Depressão e loucura/É a mais nova invenção
PONTO MORTO E MARCHA RÉ(M. Bousada e R. Batista) Tá tudo muito torto/Assim não vai dar pé/Estou de ponto morto/E você, de marcha ré/Vontade não nos falta/Nem desejo e tesão;/ a timidez nos entorta/Fica faltando um empurrão/Deste jeito não vai dar/Pra gente se conhecer/E tudo vai terminar/Antes mesmo de nascer/Fico sonhando,/Pensando quando a quero/Me torturando/Então me desespero/Vou sonhando/Pedindo pra todo santo/Eu já acendi foi muita vela/E espalhei nos quatro cantos/Ai, ai, ai meu Deus/Como é que pode tudo isto acontecer?/Você a fim de mim/E eu morrendo por você...
CARROÇA DO FUTURO(M. Bousada e R. Batista) Estou andando no escuro/Na carroça do futuro/Como é que eu faço pra parar esta geringonça?/Na poeira do cerrado/E não sei mais pra que lado/Que eu devo atirar/Que eu vejo a crise da ciência/O esgotar da paciência/Vejo o mundo inteiro inchar/Multidão de peregrinos/Esperando do divino/Um sopro para abençoar/É soja transgênica/Revolução na genética/É tanta coisa polêmica/Valores além da estética/È cidade espacial/Ovelha clonada/A coisa não está tão mal/Eu só não entendo nada
ÁGUAS DO CERRADO(Paulo Córdova e Rodrigo Galvão) Banho de cachoeira veste o planalto central/É como estar na praia curtindo o litoral/No rio ou corredeira, no poço ou na lagoa/A turma na cachoeira fica toda numa boa/Itiquira, Poço Azul, Mumunhas, Indaiá/Na Quebrada dos Deuses Cachoeira do Altar/Topázio, Tororó, do caminho não me engano/O Salto de Corumbá e o Riozinho dos Canos/Barragem de Santa Maria no Parque Nacional/Se a gente está em São Jorge sempre o maior astral/Canyon 1, Canyon 2, o Salto e Carioquinhas/Tem o Vale da Lua, Raizama e Rodoviarinha/Todo mundo se junta a fim de relaxar/Vamos tirar um ronco, falar besteira e cantar/Lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá...
FORMIGA BARNABÉ(Rui Martins) Um dia uma formiga que se chamava Barnabé/Pegou a mochila, encheu a mochila e deu no pé/Subiu o morro, atravessou o rio,/Pegou o caminho até que sumiu/E o céu que naquele momento/Se fechava, reabriu/Mas um dia ela voltou para nos contar/Sobre aquelas coisas bonitas/Que ela viu por lá/Falou do céu, falou das estrelas/Falou da lua, falou do mar/Falou do vento que soprava /E ensinou a amar/Falou da chuva que molhava e lavou seu coração/Falou do sol, falou das nuvens e dos pássaros a voar/Falou do verde das árvores que brotavam do chão/Falou da imensa alegria que sentiu no coração/Ao percorrer o mundo sobre seus próprios pés/Sobre seus próprios pés
EU PREFIRO ASSIM(menina) – (Marcelo Bousada, Paulo Córdova e Ricardo Batista) Menina quando tu chorou/Tudo escureceu, o tempo se fechou/Veio chuva veio trovoada/Veio o som da enxurrada no meu coração/Menina quando tu chorou/Veio uma dor aguda dentro do meu peito/Não tinha paz aqui no meu sossego/Tudo era amargura e desilusão/Menina quando tu te enrosca/O teu cheiro me aperta feito um beijo teu/É a paz voltando pro meu peito/Num sorriso aberto de satisfação/Menina, sinto tua falta/Me faz tão mal me faz sofrer/Menina te quero de volta/O teu amor me faz crescer/Eu prefiro assim, eu prefiro assim/Seu rostinho feliz, feliz/Eu prefiro assim, eu prefiro assim/Eu prefiro assim
HUMANIZÁRTICA(pilhéria) – (Marcelo Bousada, Paulo Córdova e Ricardo Batista) Sei que achas graça da miséria/Ainda que não seja motivo pra pilhéria;/Mais do que tudo, o dinheiro tu veneras/Mas vem a morte e a tudo então nivela/A coisa é séria/A tristeza aqui impera/A gente espera/Vencer mais esta guerra/Meu povo vive /Em casa de tapera/A desumanidade/Em pirraça se acelera/Gente, é preciso gente urgentemente!,/Que o povo carece de viver decentemente/E é preciso sorrir/Porque a coisa está tão feia/Mas de barriga cheia/Que vazia dá azia
GLOBRASILIZAÇÃO (o brasileiro) - (Marcelo Bousada, Paulo Córdova, Ricardo Batista, Gê Mendonça e Zé Carlos) Sou brasileiro, tenho a alma bem fecunda /Tenho um pé com a padroeira /E o outro na macumba /Sou mensageiro /Da cordialidade /Misturando o mundo inteiro /Enriqueço a humanidade /O brasileiro é mesmo pau pra toda obra /Na enxada ou na Internet ele bota pra quebrar /A minha sorte foi nascer neste país /Que todos sabem tem palmeiras onde canta o sabiá /O brasileiro é um forte /O seu espírito de criação /A alegria é a prova dos nove /E a engrenagem é o coração /E essa moda de Brasil está pegando /Nos lugares onde ando todo mundo a me falar /Que não agüenta mais cultura fast-food /Tão comendo tapioca ao invés de caviar /A capoeira, o carnaval, o frevo, o samba /E o nosso futebol todos querem importar /E é da luta desta gente iluminada /E hoje, enfim, valorizada que eu vim me alimentar
TREMEDEIRA(Rogério Henrique) Tenho ouvido tanta gente me pedir pelo sertão /Uns pedem pra comer pão, outros, para ver o mar; /Outros, para desligar o diacho da televisão; /De Brasília até o Japão tudo é uma tremedeira /Eu vou deixar de brincadeira e vou mover o poeirão / Gente vem pra cidade grande pensando que é diferente, /Que aqui se sabe o que é gente e vê sua chance renovada; /É tudo a mesma boiada, o mesmo jeito de lidar, /Uns conseguem trabalhar e logo são escravizados, /Os outros, pobres coitados, vão comendo pela beira /Eu vou deixar de brincadeira e vou mover o poeirão /O problema se acentua e poucos vêem a diferença, /Uns movidos pela crença, os outros vivem de ilusão. /De que basta ter o pão pra ter uma vida sossegada /Beber uma loura gelada e o jogo na televisão? /Muitos nem sabem quem são e vão entrando no esquema: /É combustível do sistema, é o cimento do patrão; /Engolem sapo e sabão e nunca vem a tal mudança, /Desde os tempos de criança só se pede a vida inteira, /Eu vou deixar de brincadeira e vou mover o poeirão /Aos senhores governantes, hoje lhes peço atenção. /Falo em nome do povão e dessa gente de valor, /Que é tudo trabalhador e me queixou a vida inteira, /Nessa vida passageira tem destino e tem razão. /É fácil a solução, o difícil é compromisso. /Deixam o povo submisso e o mantém na ignorância; /Não percebem a importância de viver com dignidade, /Trabalho com honestidade que o restante vem de sobra. /Cadê homem de palavra? Não se dixe envaidecer /Pelas garras do poder e renegar o que foi dito. /Pois o que é dito foi dito e eu repito: /Não vai mais ganhar no grito, acabou a paciência, /Eu vou tocar na consciência dessa gente que é guerreira, /Eu vou deixar de brincadeira e vou mover o poeirão.
OLHOS DE BRILHO PROFUNDO (M. Bousada e R. Batista) Acompanho a metamorfose do entardecer/Satisfaço meus desejos/Sobrevoando o sepultamento do dia e/Esperando algo acontecer/É luto em meu teto/Transformado no insignificante/Mas não tão perto/Da loucura que espero /E do instante que persigo/Sigo buscando, querendo e tentando/Encontrar alguma coisa/Mas calei-me com o dia/E fui buscar no crepúsculo/As gotas lisérgicas vinte e cinco vezes plena/O elixir que me alucina e que me envenena/É quando a noite cai /e cora a sua face/Assanha seus instintos/Desmonta seus disfarces/Olhos de brilho profundo
NÃO ME ABORREÇA(P. Córdova, R. Henrique e M. Bousada) Eu andava só, eu andava por aí /Mamãe já dizia: “antes bem acompanhado,/Do que um louco só”/Mamãe já dizia: “antes bem acompanhado,/Do que um louco sozinho”/Não me aborreça!/Você me deixou numa tremenda dor de cabeça/Por favor, não me aborreça!/O seu discurso já está falido/Eu já não tenho paciência para lhe ouvir falar/Estamos justamente procurando sentido/Pra toda repressão que insiste em nos rodear/Então, não me aborreça!/Você me deixou numa tremenda dor de cabeça/Por favor, não me aborreça!/Vou te levar pra ver/O sol no mar nascer
ALMA BRASILEIRA(Ricardo Batista e Gê Mendonça) Fonte de força e de fé brasileira /Encorajando a quem queira lutar; /Introduzindo na alma guerreira /Jóias, tesouros, culturas sem par. /Acenda o fogo deste meu terreiro /Onde se canta e se dança em flor: /Deus é o dia que dá na cabeça /Entre um sonho e o corpo e sua dor! /Brinca o destino por trás de um sorriso /Anunciando que vai transformar /Noite escura em dia e vida /Dando recursos a quem precisar. /Incendiando a vontade escondida /Debaixo de esforço, na diária lida, /Obrar os cuidados devidos ao lar. /Alma, alma brasileira /Mistura de sangues, ritmos, graças!/
FEIJÃO DE BANDIDO( Paulo Córdova) Ai, ai meu Deus que saudade de um feijão /Com lingüicinha, paio e orelha de leitão / Feijão assim há muito tempo não se vê / Pelas panelas da grande população / A enxada magra é o perfil deste sertão / E a poeira, mãe na seca estação / Vertigens claras, obscuras pela história / Sede de vida na faminta solidão / O velho feijão tropeiro / Tutu de feijão mineiro / Feijão dos velhos escravos /Hoje tão ralo e tão caro / Feijão com arroz, meu amigo, / Tornou-se um prato vazio / Povo cansado e sofrido / Canta Feijão de Bandido
NOVOS MARES(M. Bousada e R. Henrique) Desancorei meu coração/Navio do teu porto/E me lancei no mar bravio/De rumo torto/Mas sobrevivi à tempestade de tua falta/E já me esqueci doutra metade sombra morta/Pois além do porto eras a bússola e a âncora; /e eu, morto./Hoje estou bem mais ao mar/Mais pra lá do que pra cá/O alívio das tormentas/ O lado calmo e tranqüilo.../Não procuro por quem me agüentar/E atraio por meu próprio estilo/Sendo o porto e a bússola/A âncora e o mar/Sendo a bússola a âncora e o barco
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(61) 9216-4858 - Paulão ou (61) 8407-3724 - Marcelo
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